A dupla face do empreendedorismo. O risco do “empreendedor bicefálico” em Angola


O empreendedorismo tornou-se uma verdadeira arte de sobrevivência e emancipação. A busca pela independência das políticas públicas e das limitações do sector público e privado, muitos cidadãos encontram as soluções de criação de negócio como caminho para se tornarem, finalmente, empregadores. O risco do “empreendedor bicefálico” no mercado angolano.


O empreendedorismo tornou-se uma verdadeira arte de sobrevivência e emancipação. A busca pela independência das políticas públicas e das limitações do sector público e privado, muitos cidadãos encontram nela soluções de criação de um negócio como caminho para se tornarem, finalmente, empregadores.

No entanto, esse universo divide-se em dois tipos distintos: aqueles que se dedicam ao crescimento e à prosperidade de seus negócios, e aqueles que, consciente ou inconscientemente, os sabotam. É a esta segunda categoria que damos o nome de empreendedor bicefálico.

O empreendedor bicefálico é aquele cuja mentalidade está voltada apenas para a subsistência pessoal e familiar, não para a sustentabilidade ou crescimento da empresa. Este perfil confunde deliberadamente as finanças, tratando o capital da empresa como extensão da sua conta pessoal, usa o cartão corporativo para despesas domésticas e, inevitavelmente, compromete a saúde financeira do seu próprio negócio.

Esta má gestão tem consequências directas e devastadoras. O bicefálico representa um risco iminente para seus colaboradores, pois o colapso financeiro da empresa pode ocorrer a qualquer momento, resultando em desemprego em massa. A confusão entre o pessoal e o corporativo é tão intrínseca que se manifesta em actos simples, como o frequente uso do NIF (Número de Identificação Fiscal) da empresa para despesas corriqueiras no supermercado, um sinal evidente e perigoso da falta de separação patrimonial.

De uma perspectiva macroeconómica, os bicefálicos minam a credibilidade do sector e enfraquecem o tecido económico nacional. Ao elevarem significativamente o risco de falência por má gestão, eles não apenas destroem seus próprios negócios, mas comprometem o ciclo virtuoso da geração de riqueza e emprego.

Ademais, empreender pressupõe responsabilidade fiscal, planeamento estratégico e gestão rigorosa. Acima de tudo, exige uma mentalidade singular, voltada primariamente para a sustentabilidade do negócio, e não para o suprimento imediato de carências pessoais. O verdadeiro empreendedor é, e deve ser, um dos pilares inegociáveis do crescimento económico e do desenvolvimento social.

No entanto, este fenómeno pode se reverter caso se adoptem algumas soluções, tais como: priorizar a saúde da empresa, planeamento estratégico e orçamental, criação de reserva financeira, apoio contabilístico/consultoria e separação patrimonial imediata

Contudo, o empreendedor só evitará a falência se tratar a sua empresa como uma entidade separada e soberana. O capital da empresa deve servir o crescimento do negócio; só depois de garantir isso é que o negócio pode servir o sustento do empreendedor, através de um salário definido e responsável.

Adão Maria

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